A Sala de Imprensa é um canal de comunicação entre o IBGE e os jornalistas. Aqui é possível acompanhar nossas divulgações, encontrar os contatos da assessoria de imprensa e ter acesso a recursos multimídia.

21) O que é Geodésia?

A definição clássica de Geodésia é a ciência que estuda a forma, as dimensões, o campo da gravidade e a rotação da Terra. O estudo destes elementos visa em última instância ao estabelecimento de uma infraestrutura de referência que permita conhecer com suficiente acurácia, em qualquer instante, a posição de qualquer objeto que se encontre localizado no planeta ou próximo a ele. Com a grande evolução tecnológica dos últimos tempos, que tem propiciado a determinação de coordenadas e da gravidade de pontos na superfície terrestre com uma precisão tal que permite detectar a variação no tempo destes parâmetros, a Geodésia hoje trata o planeta como um sistema dinâmico complexo, formado por um corpo composto de muitas camadas, cercado pela atmosfera e os oceanos. Desta forma, a Geodésia fornece valiosas ferramentas para se monitorar as mudanças globais, subsidiando:

  • o monitoramento da Terra sólida (por exemplo, movimentos tectônicos e não tectônicos da crosta terrestre);
  • o monitoramento das variações na Terra líquida (elevação do nível do mar, derretimento das camadas de gelo);
  • o monitoramento das variações do movimento de rotação da Terra (movimento do polo, aumento da duração do dia);
  • a determinação de órbitas de satélites científicos (incluindo satélites de observação da Terra);
  • o monitoramento da atmosfera com técnicas geodésicas por satélite (ionosfera, troposfera), inclusive para aplicações em meteorologia e climatologia;
  • o monitoramento das variações temporais no campo de gravidade da Terra, que fornecem informações valiosas sobre o deslocamento de massas no sistema Terra-Atmosfera, dentre outras; e
  • a determinação de posições, e de suas alterações com o tempo, de pontos sobre ou acima da superfície da Terra com a máxima precisão.

Além disso, a Geodésia fornece a base científica para o desenvolvimento, funcionamento e uso dos Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS), tais como GPS, GLONASS, GALILEO, COMPASS, e também para o estudo de todos os problemas relacionados à observação da Terra e à mudança global.

22) Qual a importância da Geodésia para o melhor conhecimento do território e da população brasileira?

A Geodésia é responsável pela geração das informações que compõem a camada mais básica da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), também apresentada neste documento. Todas as demais camadas de informação geoespacial do país no seu nível federal, estadual e municipal, tais como a cartográfica de referência e temática, a 16 de estruturas territoriais (que representam os recortes das unidades políticoadministrativas e de setores censitários que cobrem todo o território), a dos cadastros territoriais rurais e urbanos, a estatística (que associa dados populacionais ao território), dentre outras, apoiam-se na referência posicional fornecida pela infraestrutura geodésica. A correta vinculação de todas estas camadas garante a consistência e qualidade das informações territoriais produzidas no país. Esta estrutura estratificada de dados e informações justifica a necessidade de estabelecimento da infraestrutura geodésica com o máximo rigor científico, levando-se em conta as mais modernas tecnologias para medição e monitoramento do território. Desta forma, garante-se a exatidão requerida por cada camada de informação que a ela se sobrepõe.

Dentre as aplicações que se beneficiam diretamente da infraestrutura geodésica, encontram-se: mapeamento, demarcação de propriedades, planejamento e construção de rodovias, hidrovias e ferrovias, localização de recursos minerais, navegação terrestre, marítima e aérea, agricultura de precisão, planejamento, construção e controle de estrutura de barragens e pontes, posicionamento de antenas de telefonia, transposição de recursos hídricos, transmissão de energia, prevenção e mitigação de desastres para proteção da biosfera, do meio ambiente e da saúde humana, entre tantas outras.

Além disso, com a revolução proporcionada pelos sistemas de posicionamento por satélites, tais como o americano GPS e o russo GLONASS, associada à popularização de seu uso em smartphones e em navegação de veículos, houve uma mudança na forma com que as pessoas interagem com o espaço ao seu redor. Está sendo possível se localizar, se orientar, escolher rotas, verificar condições de trânsito, solicitar táxi e muitos outros serviços que utilizam coordenadas. Este uso cada vez mais intenso da informação posicional pelo cidadão comum também está amparado pela estrutura geodésica existente no país, muitas vezes de forma transparente para o usuário. Em síntese, o sistema geodésico é coordenado, utilizado para representar características terrestres, sejam elas geométricas ou físicas. Na prática, serve para a obtenção de coordenadas (latitude e longitude), que possibilitam a representação e localização em mapa de qualquer elemento da superfície do planeta.

23) O que é e para que serve um marco geodésico?

O marco geodésico é a forma como a estação geodésica é materializada. Na prática, serve para obtenção de coordenadas (latitude e longitude), que possibilitam a representação e localização em mapa de qualquer elemento da superfície do planeta. Ela pode ser vista e acessada pelos usuários como chapas, marcos ou pilares de concreto. A chapa – circular, com a identificação da estação e a indicação de propriedade do IBGE – é cravada em superfícies estáveis já existentes (por exemplo, soleira de igrejas ou praças); no caso de marco ou pilar de concreto, a chapa é incrustada em seu topo. Quando há um dispositivo de centragem forçada (muito utilizado para fixar a antena de um rastreador de satélites) no topo do pilar, a chapa é incrustada na lateral, conforme o Manual de Padronização de Marcos Geodésicos, disponível no site do IBGE em: ftp://geoftp.ibge.gov.br/metodos_e_outros_documentos_de_referencia//normas/padronizacao_marcos_geodesicos.pdf

24) O que é e para que serve uma estação geodésica?

É a chapa, marco ou pilar no qual foram realizadas operações de medição geodésica e cálculos que resultam em coordenadas (latitude, longitude e altitude) e/ou aceleração da gravidade que definem com a devida exatidão a sua posição na superfície terrestre.

Latitude: ângulo formado pelo plano do Equador e o raio do ponto a determinar. Sua representação é feita por graus, sendo que a linha do Equador recebe o valor de 0° e os polos o valor máximo de 90°. Como a determinação de um ponto ou elemento sobre a superfície da Terra tem de ser única, é utilizado o sinal (+) para os valores de latitude acima do Equador (Norte) e sinal (-) para os valores de latitude abaixo do Equador (Sul). Distância, usualmente medida em graus, minutos e segundos, da linha do Equador a um determinado ponto da superfície terrestre. Ela varia de 0° a 90° para o norte ou para o sul.

Longitude: ângulo formado pelo plano do Meridiano de Greenwich e o plano do meridiano que contem o ponto a determinar. Sua representação é feita em graus, o Meridiano de Greenwich recebe o valor de 0° e seu antimeridiano 180°. A longitude apresenta sinal (+) para Leste e sinal (-) para Oeste.

Altitude: distância vertical, medida em metros, entre um determinado local da superfície terrestre e, usualmente, o nível médio do mar.

Uma altitude referida ao nível médio do mar está associada ao campo da gravidade terrestre, possuindo desta forma um significado físico. Na prática, esta característica implica que massas d’água sujeitas apenas ao campo da gravidade se deslocam sempre dos pontos com maior valor de altitude para aqueles com menor valor. Desta forma, se, por exemplo, a finalidade da utilização da altitude for gestão de recursos hídricos (irrigação, redes de água ou esgoto, hidrelétricas, área de inundação, etc.), é essencial utilizar altitudes referenciadas ao nível médio do mar, muitas vezes também denominadas de altitudes ortométricas. Outro tipo de altitude muito usado na atualidade é aquele que utiliza como referência um modelo matemático (normalmente um elipsoide de revolução) que simplifica extremamente os cálculos de qualquer distância ou posição na Terra ou em seus arredores. Este tipo de altitude denomina-se altitude geométrica ou elipsoidal, sendo o principal exemplo a obtida por GNSS (onde o GPS está incluído). Destaca-se que este tipo de altitude não está associado ao campo da gravidade e, consequentemente, NÃO deve ser utilizado para gestão de recursos hídricos.

25) O que é e para que serve a Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos sistemas GNSS?

A Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS – RBMC consiste em um conjunto de estações geodésicas equipadas com receptores de satélites GNSS (Global Navigation Satellite Systems) de alta precisão, que rastreiam continuamente os sinais transmitidos pelos satélites, gerando dados e informações que subsidiam a determinação de coordenadas no Brasil e seus arredores. O GNSS compreende sistemas de posicionamento e navegação, tais como o americano GPS e o russo GLONASS. Os dados coletados permitem a determinação da posição de objetos com alta precisão, apoiando grandes obras de engenharia, estudos de meteorologia e clima 18 espacial, aplicações geofísicas, entre outras. As estações são implantadas em locais que garantam sua preservação. Considerando-se que o funcionamento das estações da RBMC proporciona o monitoramento contínuo e altamente preciso das coordenadas das estações que a compõem, esta rede fornece informações valiosas sobre os movimentos da crosta terrestre no território nacional, permitindo, por exemplo, detectar com precisão um movimento horizontal médio de cerca de 1,4 cm/ano para noroeste ou identificar que a crosta na região próxima a Manaus apresenta uma variação vertical com amplitude sazonal de cerca de 7 a 8 centímetros, possivelmente por conta do regime de chuvas na região.

O objetivo principal da RBMC é servir de referência para posicionamentos utilizando-se os sistemas GNSS no país. Ela possibilita que os usuários obtenham coordenadas tridimensionais (latitude, longitude e altitude), com precisão de centímetros ou até mesmo de poucos milímetros, referidas ao SIRGAS2000, sistema geodésico de referência adotado oficialmente no Brasil. Maiores informações podem ser obtidas em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/rbmc/rbmc.shtm.

26) O que é um referencial geodésico?

É um sistema de coordenadas, associado a algumas características terrestres, que possibilita o conhecimento da localização absoluta de qualquer ponto ou elemento no planeta, assim como a localização relativa entre pontos. A materialização ou realização do referencial geodésico (ou sistema geodésico de referência ou datum geodésico) dáse através de um conjunto de estações, implantadas sobre a superfície física da Terra, cujas coordenadas são conhecidas.

27) Quais os referenciais geodésicos adotados oficialmente pelo Brasil? Por quê?

São dois os referenciais geodésicos adotados oficialmente no Brasil: o Planimétrico e o Altimétrico ou Vertical.

Referencial Geodésico Planimétrico - Em 25 de fevereiro de 2005, a Resolução 01 da Presidência do IBGE estabeleceu o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas – SIRGAS2000 como o novo sistema geodésico de referência para o SGB. Este sistema é compatível com as tecnologias de posicionamento por satélite disponíveis atualmente. Tendo em vista as precisões milimétricas das coordenadas das estações geodésicas que materializam este sistema e a sua variação no tempo, decorrente, por exemplo, de movimentos da crosta, as coordenadas vinculadas a este sistema estão associadas à época de referência 2000,4. A mesma resolução estabeleceu um período de transição não superior a dez anos, quando os sistemas adotados até então em atividades geodésicas (SAD 69) e cartográficas (SAD 69 e Córrego Alegre) poderiam ser utilizados concomitantemente ao SIRGAS2000, para que os usuários pudessem adequar e ajustar suas bases de dados, métodos e procedimentos ao novo sistema.

Para mais informações, ver ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/geodesia/projeto_ mudanca_referencial_geodesico/legislacao/rpr_01_25fev2005.pdf.

Referencial Geodésico Altimétrico ou Vertical - Um referencial geodésico altimétrico ou vertical é definido pelo geoide, superfície equipotencial do campo de gravidade da Terra que coincide com o Nível Médio do Mar (NMM) em repouso. Em uma superfície equipotencial, todos os pontos que a compõem possuem potencial gravitacional constante (em termos práticos, podemos dizer que a superfície de uma massa d’água, um lago, por exemplo, materializa uma equipotencial). Tal superfície não pode ser definida geometricamente, em função da distribuição irregular das massas no interior do globo terrestre. Um referencial altimétrico é tradicionalmente realizado a partir da determinação do NMM utilizando-se observações maregráficas coletadas no litoral durante um período de no mínimo 19 anos. A materialização do referencial é então complementada por um conjunto de estações geodésicas denominadas Referências de Nível (RN), distribuídas por todo o território nacional. O referencial altimétrico adotado atualmente no país é o Datum de Imbituba, definido como o NMM medido nesta cidade de Santa Catarina entre 1949 e 1957. Ele serve de referência vertical para quase todo o território brasileiro. Apenas o Amapá tem altitudes referidas a outro datum, devido à impossibilidade de transpor a região da foz do Rio Amazonas com as medições tradicionais de altitude. Para este estado, adota-se o Datum de Santana, definido como o NMM nesta cidade entre 1985 e 1986.

Tendo em vista as dificuldades de manutenção da rede de RNs (no Brasil são mais de 60.000!), observa-se no mundo atualmente uma tendência de realização ou materialização de sistemas de referência vertical através da adoção de um Modelo (ou Mapa) Geoidal para o país, determinado a partir da medição da aceleração da gravidade (gravimetria) sobre o território por métodos terrestres e/ou aéreos, complementados por dados fornecidos por satélites artificiais dedicados a este fim. Este modelo fornece a ondulação geoidal para todos os pontos do território, ou seja, a separação entre o NMM e o elipsoide de revolução adotado como forma geométrica da Terra. Com as ondulações geoidais extraídas desse tipo de modelo, as altitudes obtidas pelo GPS podem ser transformadas, com uma determinada aproximação, em altitudes referidas ao NMM.

28) Como os referenciais geodésicos podem ter influência no dia a dia das pessoas?

Quando informações geoespaciais (por exemplo, constantes de mapas de dutos de gás, de redes de esgoto, etc.) determinadas em referenciais geodésicos diferentes são combinadas, pode haver um aparente deslocamento da representação das posições verdadeiras. Isso pode provocar desperdício de recursos para localizar os elementos desejados e até sérios acidentes, como perfuração inadvertida de tubulação de gás. No caso de utilização de diferentes referenciais verticais, inconsistências podem fazer com que uma usina hidrelétrica não atinja a capacidade necessária para gerar energia ou provocar um grande desastre, quando a área planejada de inundação da barragem exceder os limites esperados. Outro exemplo é quando, em projetos de transposição de recursos hídricos ou de redes de água e de esgoto, a combinação de dados de mapeamento em diferentes referenciais provoca um escoamento muito lento ou rápido, ou ainda a inversão da inclinação dos canais ou dutos, levando a um escoamento no sentido contrário ao projetado.

29) Qual o papel do IBGE no cálculo e definição das altitudes dos picos brasileiros?

O IBGE é gestor do Sistema Geodésico Brasileiro, o que implica no estabelecimento de uma infraestrutura geodésica básica no Brasil que permite a determinação de coordenadas (latitude, longitude e altitude) de qualquer ponto em território brasileiro, bem como a divulgação de informações sobre sua dimensão espacial. Tais responsabilidades o levaram a participar das campanhas de atualização das altitudes das montanhas mais altas do Brasil, numa parceria científica com o Instituto Militar de Engenharia – IME. Coube ao IBGE realizar as medições geodésicas, na ocasião utilizando posicionamento por satélites GPS, processar os cálculos e disponibilizar os resultados finais no Banco de Dados Geodésicos – BDG. O IME (Instituto Militar de Engenharia) foi responsável pela logística, por vezes complexas, nas áreas das montanhas mais remotas.

30) Por que houve alterações nos valores das altitudes dos picos mais altos do país?

As alterações nos valores das altitudes dos picos mais altos do país estão relacionadas à evolução dos métodos e equipamentos para a obtenção das altitudes. As medições anteriores foram realizadas por volta de 1960, pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, utilizando o barômetro, instrumento que mede diferença de altitude a partir das mudanças da pressão atmosférica relacionadas a variações de altitudes. As altitudes resultantes da medição tinham uma precisão de alguns metros.

Na atualização das altitudes dos picos mais altos do País, as determinações foram realizadas através do posicionamento por satélites GPS, que forneceram altitudes elipsoidais precisas e, posteriormente, foram transformadas em altitudes referidas ao NMM por meio do modelo geoidal oficial na época.

31) Quais são e onde encontrar as altitudes dos picos culminantes (mais altos) do Brasil?

As altitudes - disponíveis no Anuário Estatístico do Brasil 2012, no site do IBGE (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_2012.pdf"dicos/20/aeb_ 2012. pdf), são as seguintes:

Nome Localidade Altitudes Antigas (m) Altitudes Novas (m)
Pico da Neblina Serra do Imeri – AM
3014,1
2993,78
Pico 31 de Março Serra do Imeri – AM
2992,4
2972,66
Pico da Bandeira Serra do Caparaó – MG/ES
2889,8
2891,98
Pedra da Mina Serra da Mantiqueira – MG/SP
2770,0
2798,39
Pico das Agulhas Negras Serra do Itatiaia – MG/RJ
2787,0
2791,55
Pico do Cristal Serra do Caparaó – MG
2780,0
2769,76
Monte Roraima Serra do Pacaraima – RR
2739,3
2734,06

32) Qual o papel do IBGE na definição dos pontos extremos do Brasil? Quais são eles?

Não cabe ao IBGE definir os pontos extremos do Brasil.

33) O que é a Rede Maregráfica Permanente para a Geodésia (RMPG) e o que a Geodésia tem a ver com a medição do nível do mar no país?

A RMPG é formada por cinco estações estabelecidas no litoral brasileiro: Santana-AP, Fortaleza-CE, Salvador-BA, Macaé-RJ e Imbituba-SC, que utilizam o marégrafo como seu principal equipamento de medição.

As altitudes brasileiras referem-se a valores do Nível Médio do Mar (NMM), definidos a partir de dados maregráficos coletados em Imbituba (Santa Catarina), e em Santana (Amapá). A RMPG tem como objetivo principal monitorar o NMM para fins de acompanhamento e refinamento do referencial altimétrico do Brasil, além de subsidiar a transformação dessas altitudes para outros referenciais existentes no Brasil – como, por exemplo, o Nível de Redução das Cartas Náuticas, utilizado pela Marinha do Brasil como referencial para todas as profundidades mostradas em sua Cartografia. Mais informações podem ser obtidas em:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/rmpg/default_rmpg_int.shtm?c=10

34) Essas medições do nível do mar podem ser empregadas, por exemplo, para controlar efeitos do aquecimento global? Por quê?

Essas medições do nível do mar, quando realizadas por longo e contínuo período de tempo (i.e., vários anos), constituem um dos elementos a serem utilizados nos complexos estudos para monitoramento das variações do nível médio do mar ao longo da costa brasileira, incluindo aquelas provenientes do aquecimento global.

35) Qual o papel do IBGE na questão dos royalties de petróleo explorado em plataformas marítimas no Brasil?

São as seguintes as atribuições legais do IBGE relacionadas à distribuição dos royalties gerados pela produção de petróleo e gás natural no Brasil, conforme dispostas na Lei n.º 7.525, de 22 de julho de 1986, e no Decreto n.º 93189, de 29 de agosto de 1986:

  • Determinar, segundo a linha geodésica ortogonal à costa ou segundo o paralelo, quais municípios litorâneos são confrontantes com os poços produtores, utilizando coordenadas encaminhadas oficialmente pela Agência Nacional de Petróleo (ANP);
  • Identificar as áreas geoeconômicas dos municípios confrontantes com os poços produtores, conceito introduzido pela Lei nº 7.453, de 27 de dezembro de 1985, que constou também da Lei nº 7.525/86 e, mais tarde, do Decreto nº 01/91. A área geoeconômica é identificada a partir de critérios referentes às atividades de produção de uma dada área petrolífera marítima e aos impactos dessas atividades sobre as áreas vizinhas. O IBGE adotou, como critério de identificação da área geoeconômica, a mesorregião homogênea, que vigorou 22 de agosto de 1986 até 31 de dezembro de 1989 e, a partir daí, a mesorregião geográfica dos municípios integrantes da zona de produção principal, resguardando os direitos das unidades territoriais beneficiadas com a aplicação do critério anterior;
  • Elaborar relatórios semestrais, que são enviados à ANP, com a relação de todos os municípios beneficiários, distribuídos segundo os conceitos de Zona de Produção Principal (municípios confrontantes e com instalações), Zona de Produção Secundária (municípios e distritos cortados por dutos) e Zona Limítrofe (municípios contidos na mesma mesorregião dos municípios produtores da Zona Principal).

36) O que são linhas ortogonais e por que é dessa forma que são definidos os municípios que devem receber royalties de petróleo?

Em atendimento aos diplomas legais, para a definição das projeções dos limites interestaduais na plataforma continental brasileira, foi adotado o método das linhas de base retas. Foram escolhidos 25 pontos ao longo da linha de costa, localizados nas divisas interestaduais, e, dada a especificidade do litoral de alguns estados, em pontos intermediários, para refletir as suas tendências mais marcantes. Esses pontos foram ligados por linhas retas, de modo a representar as reentrâncias e saliências da linha da costa brasileira, definindo as linhas de base.

A partir dos pontos de divisas interestaduais, localizados sobre esta linha de base, foram traçadas linhas perpendiculares (ortogonais) até o limite da plataforma continental. Estas perpendiculares representam, para fins de royalties, os limites interestaduais na plataforma continental.

Respeitando os limites interestaduais na plataforma continental já descritos, nos estados onde o litoral apresenta certa regularidade, cada limite municipal no mar territorial foi determinado por uma linha perpendicular (ortogonal) às bases retas previamente definidas.

Outras linhas usadas para definição de municípios confrontantes são os paralelos, determinados a partir das coordenadas dos pontos dos limites intermunicipais/estaduais.

37) Há alguma previsão de mudança na forma de determinar que municípios devem receber royalties de petróleo? Em caso positivo, como, quando e por que isso deve ocorrer?

O IBGE aplica rigorosamente o previsto na Lei n° 7.525/86 e no Decreto n° 93.189/86, seguindo os padrões de alta precisão com os quais trabalha. Existe uma série de projetos de lei tramitando no Congresso Nacional com propostas de alteração nos critérios de determinação de municípios confrontantes com poços em produção. Na hipótese de ser aprovada nova legislação sobre a matéria, o IBGE a aplicará igualmente com o mesmo rigor.


© 2017 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística