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59) O IBGE acompanha o desmatamento das florestas brasileiras e outras coberturas vegetais? De que maneira são feitas medições do desmatamento?

O IBGE acompanha utilizando dados produzidos por fontes externas, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). Esses dados são utilizados na produção dos indicadores de desflorestamento na Amazônia Legal e de desmatamento nos biomas extra-amazônicos, contidos na publicação de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), publicados a cada dois anos pelo IBGE.

Outra forma com que o IBGE mede e avalia as mudanças sofridas pela vegetação brasileira é através do Mapeamento da Vegetação do Brasil. Esse mapeamento permite avaliar o quanto resta da vegetação original de cada bioma. A escala e a forma como o mapeamento da vegetação é realizado no IBGE não permitem estimativas anuais da área desmatada no Brasil, mas, sim, uma visão de longo prazo do estado da vegetação do País.

Assim, as duas maneiras de medir o desmatamento no Brasil, via indicadores do IDS e via mapeamento sistemático da vegetação, se complementam, permitindo análises de curto e de longo prazo.

60) O IBGE acompanha poluição do ar e dos rios? De que maneira?

Da mesma forma que para os dados de desflorestamento anual, também para a poluição do ar e de rios, o IBGE atua como compilador e organizador de dados produzidos por outras instituições públicas brasileiras, quase todas governamentais (estaduais e/ou municipais). As informações são produzidas, quase sempre, por Agências Estaduais de Meio Ambiente, por Institutos Estaduais de Gestão de Recursos Hídricos e/ou por Secretarias Municipais de Meio Ambiente. Esses dados são utilizados para elaboração de indicadores do IDS, que, embora não façam medições, apresentam, de forma seletiva e organizada, informações sobre a qualidade do ar e das águas no Brasil. Esses indicadores são os seguintes: qualidade de águas interiores, balneabilidade (relativo à qualidade da água em algumas praias brasileiras) e concentração de poluentes do ar em áreas urbanas.

61) Qual a periodicidade da publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS)?

O IDS é bianual, com dados, em média, datados de dois anos antes. A primeira edição foi lançada em 2002, juntamente com a RIO+10 (Johannesburgo 2002). Assim, por exemplo, na edição de 2012, a maioria dos indicadores está atualizada até 2010. Algumas informações são atualizadas no ano seguinte à publicação, e disponibilizadas no Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA).

62) Por que os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável reúnem dezenas de indicadores, mas não fecham um índice de sustentabilidade?

A produção de um índice que sintetize os indicadores de sustentabilidade, especialmente quando se trabalha com grande quantidade de indicadores, é sempre algo muito tentador, que, no entanto, exigiria um razoável consenso na comunidade acadêmica sobre como construir o índice em questão e o que incluir nele. Tal consenso, na área de desenvolvimento sustentável, ainda não existe. Diversas propostas de números-índice ligados à sustentabilidade e modos de construí-los são apresentados na literatura acadêmico-científica, sem que nenhum, por enquanto, tenha alcançado ampla aceitação. O desenvolvimento sustentável é um conceito multifacetado e multissetorial ainda em construção e que assume características locais, fatores que dificultam a produção de índices universais de sustentabilidade. Além disso, a aplicação de números-índice, tal como o PIB ou o Índice de Gini, por exemplo, acaba por induzir ao ranqueamento de municípios, estados, regiões e países, o que não é, ao menos em termos de sustentabilidade, o objetivo mais importante da produção dos referidos índices.

63) O IBGE tem alguns diagnósticos ambientais e estudos de zoneamento ambiental, mas são apenas sobre poucos locais. O IBGE parou de realizar esses estudos? Vai continuar a fazê-los? Haverá em algum momento a atualização dos estudos existentes?

A participação do IBGE em estudos de diagnóstico e zoneamento ambientais é uma decorrência da ampla gama de dados sobre o território brasileiro. De acordo com o Decreto de 28 de dezembro de 2001, Artigo 7º, alínea 5, publicado no D.O.U de 31/12/2001, o IBGE é membro do Grupo de Trabalho Permanente para a Execução do Zoneamento Ecológico-Econômico, denominado de Consórcio ZEE -Brasil.

Esses estudos são realizados sob demanda, quase sempre de instituições do governo federal, que solicitam ao IBGE auxílio para o planejamento e ordenamento do uso dos recursos naturais de uma região. Sua periodicidade e abrangência não são decisões do IBGE, mas sim das instituições proponentes. Eles são muito importantes para o País planejar seu desenvolvimento, mas também para o IBGE, ao ampliarem o conhecimento da realidade nacional por seu corpo técnico.

64) Qual o papel do IBGE na caracterização e definição dos biomas brasileiros, bem como de seus limites? Como isso é feito?

O IBGE participa do processo de definição dos biomas brasileiros (quantos são e quais as suas denominações), bem como de sua delimitação. A divisão de um território em biomas está calcada em estudos de paisagem biótica, essencialmente vegetação. Como o IBGE tem um dos sistemas de classificação da vegetação brasileira mais utilizados, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) procurou o IBGE, para que, com base nos tipos de vegetação do Brasil, fosse feita a divisão do território nacional em grandes biomas. Assim, essa divisão nasce do mapa de vegetação do IBGE, a quem cabe o suporte técnico-científico da divisão do Brasil em biomas.

65) Há previsão de atualização do Mapa de Biomas do IBGE? Por quê?

Caso vá ser atualizado, como isso será feito? Sim. Como responsável pela elaboração do mapa de biomas do Brasil, o IBGE tem o compromisso de atualização e detalhamento da informação, o que depende do término do mapeamento de vegetação para todo o Brasil em escala maior (previsto para 2015). A execução será coordenada pelo IBGE, com a possibilidade de atuar em conjunto com as equipes estaduais de meio ambiente. Os mapas de vegetação do Brasil e o mapa de biomas do Brasil estão associados, e o segundo se origina do primeiro. O detalhamento do mapa de vegetação permite ampliar a escala do mapa de biomas e rever alguns limites. No momento, o mapa de vegetação do Brasil está na escala 1:5.000.000, assim como o mapa de biomas do Brasil.

66) O que é o Banco de Dados e Informações Ambientais (BDIA) e que informações ele reúne?

O Banco de Dados e Informações Ambientais (BDIA) é um instrumento para aquisição, organização, preservação e registro das informações sobre os meios físico, biótico e antrópico, estruturado em um banco de dados geoespacial, com um nível de detalhe compatível com a escala 1: 250.000 e abrangendo todo o território nacional nos temas Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Recursos Hídricos e Clima (meio físico), Biomas, Vegetação, Coleções Científicas e Áreas Especiais (meio Biótico) e Uso e Cobertura da Terra, Poluição e Agrotóxicos (meio Antrópico).

Este banco de dados encontra-se alinhado a diversos planos do governo federal e de políticas públicas, buscando contribuir com órgãos públicos, instituições de pesquisas, universidades e empresas privadas que atuam na ordenação da ocupação e do desenvolvimento do território nacional.

67) Para que serve o BDIA e como é possível acessá-lo?

Mantido de forma atualizada, integrada e persistente, as informações ambientais contidas no BDIA têm contribuído para o entendimento da realidade territorial brasileira e para o conhecimento de dois grandes sistemas interdependentes: o meio natural e os grupos humanos.

Seu principal objetivo é disponibilizar insumos para os mais variados tipos de estudos ambientais, entre os quais podemos citar: projetos integrados de zoneamento ecológico-econômico; diagnósticos ambientais; produção de indicadores de desenvolvimento sustentável dos meios físico e biótico para as estatísticas ambientais; delimitação de biomas.

O usuário não acessa os dados do BDIA e sim os produtos gerados a partir dele. Estes produtos estão disponíveis no serviço de download ou através de geosserviços no visualizador da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).

Atualmente a forma de acesso aos dados do BDIA se dá de forma indireta através do serviço de “download => geociências => mapeamento_sistemático”, disponível na página do IBGE (www.ibge.gov.br) onde se podem baixar dados na forma de mapas, 34 nos formatos pdf (imagem) e “shapefile” (formato de arquivo que armazena dados vetoriais) ou ainda acessando os geosserviços disponíveis na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).

68) É preciso ter algum conhecimento/software específico para usar o BDIA?

O usuário não acessa os dados do BDIA e sim os produtos gerados a partir dele; neste sentido, o usuário precisa de conhecimento em softwares para usar os arquivos shapefile ou os geosserviços da INDE.

69) O IBGE planeja criar uma forma mais “amigável” para que qualquer usuário tenha acesso a essas informações?

Sim. O IBGE planeja viabilizar dois tipos de acesso para usuários externos: um destinado a especialistas que tenham conhecimentos em banco de dados geoespaciais e queiram contribuir com o BDIA na manutenção dos dados existentes e na inclusão de novos dados; outro, destinado ao público em geral, para consulta e/ou utilização do acervo existente.

70) O BDIA será atualizado? Com que periodicidade?

Levando-se em consideração a dinâmica com que os eventos ocorrem na natureza, o BDIA pode ser atualizado de três maneiras. Para temas que apresentam mudanças relativamente rápidas, como é o caso da Vegetação e do Uso e Cobertura da Terra, a periodicidade estará alinhada com as pesquisas econômicas. Para temas em que os eventos naturais ocorrem de forma lenta ou em consequência de fenômenos de grandes proporções, a atualização se dará por demanda. Além disso, a atualização poderá ocorrer quando houver mudança significativa na metodologia temática.

71) De que fóruns (e/ou eventos) ambientais internacionais a DGC participa?

O IBGE representa o Brasil nos fóruns internacionais, levando os pontos de vista técnicos do País. A principal participação é no Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SEEA – System of Environmental Economic Accounting), o SEEA, que vem sendo trabalhado, em conjunto com as agências ambientais e órgãos institucionais do Brasil. Em setembro de 2013, o IBGE realizou e abrigou seminários sobre o tema, no qual se destacaram, entre outros pontos: a ligação das contas ambientais aos objetivos do desenvolvimento sustentável e os debates sobre indicadores de sustentabilidade.

72) O que são as Contas Nacionais da Água?

As Contas Nacionais da Água podem ser definidas como um modelo que trata, conjuntamente, informações de várias fontes para derivar indicadores e análises para avaliação de como o consumo da água pelas atividades econômicas afeta e é afetado em relação ao meio ambiente. Esse modelo tem de ser consistente com o Sistema de Contas Nacionais (SCN), utilizando para isso conceitos e classificações comuns. Ao final do processo, teremos uma Conta Satélite da Água, que poderá ser analisada sob os 35 mesmos parâmetros das Contas Nacionais, no sentido de que as entradas e saídas dessa conta são mensuradas pelo impacto que causarão no PIB nacional.

73) Qual é o envolvimento do IBGE na elaboração das Contas Nacionais da Água?

O tema vem sendo discutido internamente pelo IBGE desde 2009, ano do Encontro Internacional de Contas Econômicas Ambientais. Em novembro de 2011, no Seminário Internacional de Metodologia de Contabilidade Hídrica, promovido pela Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília (DF), foi sugerida a estruturação das Contas Econômicas Ambientais da Água, envolvendo, inicialmente, o IBGE e a Agência Nacional de Águas. Em maio de 2012, uma Portaria Interministerial instituía oficialmente o Comitê Gestor e o Grupo Executivo das Contas Econômicas Ambientais da Água no Brasil, com o objetivo de elaborar as Contas Econômicas Ambientais da Água, observando e adaptando as recomendações e as boas práticas internacionais sobre o tema, preconizadas pela Comissão de Estatística da ONU. Assim, através da parceria entre o IBGE, vinculado ao Ministério do Planejamento, a Secretária de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) e a ANA, vinculados ao Ministério do Meio Ambiente, estão sendo desenvolvidos elementos metodológicos para o acompanhamento e o monitoramento das interações entre a Economia e os Recursos Hídricos, no contexto das Contas Nacionais.

74) Qual o envolvimento do IBGE na questão do “PIB Verde” (um novo indicador que consideraria o patrimônio ecológico junto com os demais dados econômicos e sociais já utilizados no cálculo do Produto Interno Bruto de um país)?

O IBGE não trabalha diretamente com a questão do “PIB Verde”. O esforço que está sendo feito atualmente é para estruturação das Contas Econômicas Ambientais. A contabilização e a posterior monetarização dessas contas permitirão obter uma base para avaliação do uso e da depreciação da quantidade e do valor dos recursos naturais pelas atividades econômicas como um todo. Esforços posteriores para avaliações de serviços ecossistêmicos ou de contabilização do “PIB Verde” poderão utilizar a base das Contas Econômicas Ambientais para sua execução.

75) O que é a Reserva Ecológica do IBGE?

Designada atualmente como Centro de Estudos Ambientais do Cerrado (CEAC), a antiga Reserva Ecológica – seguindo diretrizes estabelecidas na Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, realizada em 1972, em Estocolmo – é o resultado da transformação, pelo IBGE, de sua unidade de pesquisas geodésicas e topográficas localizada em Brasília em uma área protegida, onde foi instituído um programa de pesquisas ecológicas para o bioma Cerrado. Segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado ocupa uma área de mais de um milhão de quilômetros quadrados, é extremamente rico em recursos hídricos e tem características biológicas únicas no mundo.

O CEAC abriga grande diversidade de ecossistemas e espécies da flora e fauna do bioma Cerrado, algumas em vias de extinção. Há 35 anos, o IBGE produz, nessa área, em parceria com instituições científicas nacionais e internacionais, o mais importante 36 acervo de inventários e experimentações ecológicas com vistas a subsidiar governos na busca de um planejamento territorial sustentável para o Cerrado. Seus produtos subsidiam, ainda, o cumprimento das metas nacionais para o bioma Cerrado junto à Convenção da Diversidade Biológica e à Convenção Climática.

Inicialmente, o CEAC era classificado como reserva, e recebeu o nome da gleba Roncador, doada ao IBGE pelo governo do Distrito Federal, em 1961, para a instalação do seu Terceiro Distrito de Levantamentos Geodésicos e Topográficos, transferido de Belo Horizonte, que já atuava no Distrito Federal desde 1957. Em 22 de dezembro de 1975, a gleba Roncador foi transformada em Reserva Ecológica do Roncador (RECOR), posteriormente rebatizada como Reserva Ecológica do IBGE, hoje considerada, ao lado do Jardim Botânico de Brasília e da Universidade de Brasília (UnB), área-núcleo da Reserva Mundial da Biosfera do Cerrado, no âmbito do Programa Homem e Biosfera, da Unesco.

O CEAC é uma referência nacional e mundial em medição de impactos ambientais. Abriga 15 espécies da fauna ameaçadas (sendo duas de ocorrência exclusiva na área protegida) e apresenta uma diversidade de espécies vegetais comparável à de algumas das maiores florestas do planeta. Seu grande diferencial é oferecer a possibilidade de realização de experimentos controlados em trechos específicos de seu território (a maior parte das áreas protegidas não permite intervenções desse tipo, nem mesmo para experiências científicas). Ali são realizadas, entre outras, experiências sobre queimadas, desmatamento, correções do solo para a agricultura, efeitos da irrigação e da seca, que ajudam a compreender melhor os desdobramentos das mudanças climáticas e das alterações provocadas pelo uso da terra e pela intervenção humana no Cerrado.

76) O acesso ao CEAC é aberto ao público em geral? É gratuito?

O acesso é gratuito e permitido somente a pesquisadores (o que inclui estudantes envolvidos em atividades de pesquisa), havendo a possibilidade de hospedagem nos alojamentos dentro do CEAC. Para acessar a reserva como pesquisador, é necessário:

  1. preencher o formulário de cadastro de projeto, destinado ao fornecimento de informações sobre a atividade a ser desenvolvida na reserva;
  2. preencher o formulário de cadastro de usuários, destinado a registrar informações pessoais e profissionais de pesquisadores, alunos e técnicos que participam da pesquisa;
  3. assinar as declarações de compromisso, destinadas a documentar a responsabilidade dos usuários pelo cumprimento das normas e da boa conduta na realização da pesquisa de campo;
  4. enviar cópia do projeto de pesquisa;
  5. enviar curriculum vitae do pesquisador responsável pela pesquisa;
  6. enviar fotos 3 x 4 de todos os participantes do projeto, destinadas à confecção da carteirinha de acesso à reserva.

77) Por que o IBGE tem um herbário? O que é exatamente um herbário? Onde fica o Herbário do IBGE?

Para que o IBGE promova a disseminação de informações sobre o Brasil, é importante que essas informações abranjam todas as áreas relevantes para o conhecimento de sua realidade, sendo assim, fauna e flora são elementos fundamentais.

Um herbário é um catálogo de amostras vegetais (exsicatas) usadas como referência para classificação botânica e registro das espécies vegetais ocorrentes numa região.

Os herbários do IBGE funcionam dentro do Centro de Estudos Ambientais (CEAC) e na Unidade Estadual da Bahia.

78) Qual o volume e que tipo de amostras se encontram no herbário?

O herbário IBGE contém 76 mil exemplares, dos quais 500 amostras de frutos e sementes, 375 amostras dendrológicas (de madeira) e 2193 coleções micológicas (de fungos). Além disso, há 1801 espécies de fanerógamas, 81 de briófitas, 51 de pteridófitas, 101 de líquens e 131 de fungos. As coleções científicas incluem 178 espécies de abelhas (Apidae), 101 de répteis e anfíbios, 273 de aves, 100 de mamíferos, 39 de moscas (Drosophilidae). Em números de exemplares, são 750 pássaros, 320 mamíferos e 66 mil insetos.

O herbário tem reputação mundial por suas características únicas e foi oficialmente registrado na International Association for Plant Taxonomy (IAPT), com registro publicado na Revista Taxon, vol. 29(4), pág. 522, de 1980, sob a sigla IBGE. Vale lembrar que, ao incorporar a equipe do Projeto RadamBrasil em 1986, o IBGE também incorporou o herbário do projeto - registrado em 1980 no IAPT, sob a sigla HRB - que abriga outros 60 mil exemplares no Jardim Botânico de Salvador.

79) Os Herbários são abertos à visitação pública?

Os herbários são abertos a botânicos e especialistas em vegetação, inclusive estudantes de graduação e pós-graduação. Basta entrar em contato com o atendimento DGC para agendar uma visita e realizar as consultas. Outra forma de consulta (futura) – esta de amplo acesso - é via internet, por meio do Sistema de Coleções Científicas, em implantação, possibilitando a qualquer usuário da rede mundial de computadores acesso às informações sobre as amostras depositadas nos herbários. O Sistema de Coleções Científicas é uma iniciativa do IBGE de reunir herbários e outras instituições depositárias de coleções científicas numa rede virtual de intercâmbio, disponibilizando as referidas coleções para o público em geral.

80) O IBGE estuda os solos brasileiros? De que forma? Com que periodicidade? Com que finalidade?

Sim. Por meio do mapeamento sistemático e contínuo dos solos do País e da participação em fóruns de especialistas (em pedologia) que discutem e aperfeiçoam a classificação brasileira de solos.

Dentre as características do meio físico de uma localidade ou região, o solo é uma das mais estáveis. Embora possa sofrer degradação, inclusive acelerada, o tipo de solo de 38 um local não se modifica ao longo do tempo de vida de uma pessoa. As mudanças se dão num tempo mínimo da ordem de centenas de anos, acompanhando modificações maiores de clima e relevo. Portanto, a periodicidade do mapeamento de solos perde o sentido. O que há são aperfeiçoamentos na classificação brasileira dos solos e melhorias na escala de mapeamento, que exigem novas campanhas de campo e mais esforços para mapear em escalas de maior detalhe. À medida que escalas mais detalhadas são demandadas, novos esforços de mapeamento se fazem necessários. A classificação e o mapeamento dos solos são fundamentais ao planejamento da ocupação e do uso de um local ou região. Por meio das características dos solos, se podem determinar fragilidades e potencialidades de uso de um local.

81) Esses estudos – caso existam – são utilizados em trabalhos de detecção e prevenção de desastres naturais?

O IBGE não faz, diretamente, estudos dessa natureza. Entretanto, indiretamente, os estudos desenvolvidos subsidiam a feitura de mapas e relatórios de prevenção de desastres naturais. Assim, o cruzamento das informações dos mapas de geomorfologia (relevo), pedologia (solos) e vegetação podem apontar áreas mais suscetíveis à ocorrência de deslizamentos ou inundações. Um local com relevo movimentado (montanhoso), solo instável e vegetação densa, por exemplo, não deveria ser ocupado, pois está sujeito a movimentos de massa (avalanches e desmoronamentos). Outro, com relevo plano e baixa altitude, e solo com marcas (sinais) de hidromorfismo (excesso de água no solo), certamente é sujeito a alagamento periódico, o que reduz suas possibilidades de uso e ocupação.

Outra forma de os estudos do IBGE contribuírem para a prevenção de desastres naturais é via Zoneamentos Ecológico-Econômicos. Estes estudos são feitos sob demanda de governos e instituições públicas brasileiras, com o objetivo de ordenar a ocupação de partes do território nacional, o que contribui para minimizar a ocorrência de desastres naturais, ou melhor, suas consequências.


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